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27 de Fevereiro de 2020

A greve do IBGE no ano de 2014

Publicado por Erika Erbert
há 4 anos

No ano de 2014, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) passou por uma situação de negociação trabalhista, que decorreu após a decisão dos trabalhadores e do sindicato nacional dos servidores, ASSIBGE, o sindicato que representa essa organização, de iniciarem uma greve geral. Esse ato teve inicio em 26 de maio de 2014 e se perpetuou até o dia 13 de agosto de 2014, tendo uma duração de 78 dias.

Tal ato causou inúmeras consequências para o país, sendo as principais a incompletude de diversas pesquisas, sendo as mais influentes as PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do mês de maio e do mês de junho e para a credibilidade desse órgão, já que em 2014 ocorreram eleições federais no Brasil e suas informações são sempre de vital importância para os candidatos e para divisões monetárias do governo.

Por se tratar do órgão responsável por coletar e analisar dados, com uma visão completa do país, e por ser o principal provedor de dados e informações, o IBGE deve sempre buscar atender em suas pesquisas às mais diversas necessidades dos Órgãos Federal, Estadual e Municipal, além de necessidades de diversos seguimentos da sociedade.

O IBGE tem profunda importância para a produção de dados estatísticos relativos à evolução do país, tanto para um bom planejamento econômico como para o desenvolvimento de programas sociais. O órgão conta hoje com um número de servidores próximo a 10.000. O ASSIBGE-SN, o sindicato nacional dos servidores do IBGE surgiu em 1992, pela união de outras entidades e procura de forma nacional, porém restrita a categoria, os trabalhadores do instituto.

Portanto, considera-se então, que a análise da negociação ocorrida no ano de 2014 envolvendo o IBGE direciona o olhar para o contexto que permitiu que a negociação ocorresse. Assim como as negociações envolvendo os metroviários e a polícia militar, essa negociação baseou seu poder de discussão no momento político-econômico que o pais passava. Se por um lado a divulgação de dados era obrigação do instituto e tal obrigação foi instrumento de pressão por parte do governo, por outro a necessidade deles para se fazer o planejamento e seus possíveis impactos dentro das candidaturas a presidentes serviram de pressão para o alcance dos objetivos da greve.

A utilização desse tipo de artificio não só colaborou para que se alcançasse alguns dos pontos da manifestação de 2014, mas também abriu portas ao longo prazo. O sindicato aumentou sua voz em escala nacional. Além de ficar mais conhecido, levantou questões importantes como a da autonomia técnica estabeleceu um diálogo a longo prazo com o Estado.


FOLHA DE SÃO PAULO. Diretoria do IBGE assina com sindicato acordo para o fim da greve. 2014. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1499743-diretoria-do-ibge-assina-com-sindicato-acordo-paraofim-da-greve.shtml>. Acesso em: 13 nov. 2014.

HORTO, A.. Greve do IBGE está próxima do fim. 2014. Disponível em: <http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2014-08-04/greve-do-ibge-esta-proxima-do-fim.html>. Acesso em: 13 nov. 2014.

VEJA. Após 79 dias termina greve de servidores do IBGE. 2014. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/economia/apos-79-dias-termina-greve-de-servidores-do-ibge?gclid=CM7F_NmzhMICFafm7Aodm0cAMg>. Acesso em: 13 nov. 2014.

GAZETA DO POVO. Após 78 greve do IBGE termina. 2014. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1490816&tit=Apos-78-dias-greve-do-IBGE-termina->. Acesso em: 13 nov. 2014.

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Parabéns, artigo excelente e abrangente. Nos traz um olhar crítico diante da situação continuar lendo